Ama

Ama com o ouvido
Mesmo que vivido
nada de ruído
sem explicação

Conserta o que foi visto
Sem o devido juízo
mesmo sendo siso
apelo do não

Sente o cheiro vívido
do ambiente sentido
de alma contido
com exatidão

Apalpa o corpo nosso
sente o dorso vosso
como num abraço
sem sofreguidão

– BJ

Por um minuto

Ontem a noite eu tive um sonho,
Sonho que se sonha só,
Sonho de uma noite,
Acordei chorando,
Por isso eu fui atrás de você,
Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda me quer aqui?
As vezes te odeio por quase um minuto,
Depois te amo mais e mais, como sempre
Corro pra longe e fujo da saudade,
Será que você ainda se lembra de mim?

– B.J.

Foi quando ele chegou

Ele chegou como um sonho,
tomou conta de mim,
Me encheu de esperança,
Me enfeitou com cetim,

Criou em mim a ilusão,
E eu caí em seus braços,
Entrou em minha mente,
Penetrou em minhas pernas,
Me rendi ao seu laço como presa que fui,

Agora estou solitária,
Sem seu beijo quente,
Sem seu corpo ardente,
Tudo porque me entreguei demais,
Não fui capaz de medir o amor,
Fui rápida demais, e agora perdi,
Só me resta tua ausência,
E a minha carência
De teus beijos.

– Maria Clara Andreoli

Diálogo com Roma – parte II

– Roma, eu vi minha ex-namorada no Face. Não resisti e procurei ela.
– E aí?
– Fogo. muito difícil para mim. Ela está casada. Casada Roma! Vi as fotos, como eles estão felizes Roma… muito felizes… Sabia que um dia eu teria que esquecê-la. Agora não vai ter jeito.
– É, essa é a pior coisa que pode acontecer a um coração: “Esquecer” e procurar outra pessoa que “te complete”. Você fica lá, na internet, procurando notícias dela, querendo saber por onde anda, o que está fazendo, se está feliz. Invariavelmente as fotos do Facebook já dizem: “Ela está muito feliz sem você, olha só” comprovando o seu pensamento destrutivo. É, ninguém bota fotos tristes no Face meu amigo.
– Pois é Roma. É complicado. Não sei o que fazer.
– Tomar uma atitude neste momento só vai trazer mais sofrimento. Você ainda está com o sentimento de que alguma coisa em você morreu: A parte sua que ainda acreditava. O velho apego. O apego ao passado. Você só vai saber o que fazer quando essa nuvem negra passar.
– Complicado. Eu realmente desejo a felicidade dela, mas sei lá, muitas vezes eu queria que ela estivesse assim comigo.
– É meu amigo, ela pode estar feliz sem você, mas ela também já esteve feliz com você. Vocês já tiveram fotos felizes, lembra-se? A vida não é só felicidade, se isso te deixar feliz, eu posso te dizer que ela está enfrentando os mesmos problemas que ela enfrentou com você, senão piores.
– Como você sabe disso?
– A vida ensina meu amigo. Ninguém é feliz sempre, assim como ninguém é triste sempre. A vida é assim, essa incompletude sem fim, esse sentimento de que falta algo. As pessoas precisam de algo que as completem, que as façam ser pessoas melhores, que as façam ter um caminho. Procuramos sempre aliviar a ansiedade de estar vivos, sempre buscando algo em que nos apoiar: religião, bens materiais, e porque não, um alguém. Todo caminho chega a um ponto de decisão, ou continua ou não. Precisamos ter a maturidade em aceitar certas coisas da vida. A separação de vocês por exemplo, aconteceu.
– Entendo, mas o que eu faço Roma?
– Vá viver sua vida meu amigo. Com certeza alguém vai aparecer.
– Então é isso? Seguir adiante?
– Infelizmente sim. Existem muitas pessoas no mundo e você pode gostar de alguém.
– Mas e se eu ainda estiver apaixonado por ela? O que devo fazer?
– Então meu amigo, neste caso, você também deve seguir adiante. Se martirizar não vai trazê-la de volta. Você tem que buscar ser feliz, sair  e conhecer outras mulheres e tentar ser feliz com elas, do contrário meu amigo, você vai definhar. Vocês tem vidas separadas agora. O jeito é seguir a sua da melhor maneira possível. Se um dia vocês se reencontrarem, seu coração vai dizer se era mesmo amor ou não.  Mas você tem que estar inteiro, entende isso?
– Obrigado Roma.

Stefano Libacci

Te cuida

Te vejo

Te caço

Te laço

Te pego

Te arrebento

Te quebro

Te levanto

Te abraço

Te esfrego

Te beijo

Te cheiro

Te chupo

Te bato

Te como

Te gozo

Te canso

Te Amo

Te quero

Te cuida…

– B.J.

Para viver um grande Amor

Para viver um grande Amor é preciso sofrer e ser feliz, para viver um grande Amor. É fazer planos para sempre, é estar junto mesmo separado, e mais junto quando junto, para viver um grande Amor. É ver filme abraçadinho, é agüentar o mal humor, é escutar aquela música, para viver um grande Amor. É preciso deixar o sangue correr, a alma leve e o coração livre, para viver um grande Amor.
Para viver um grande Amor é preciso querer Amar, para viver um grande Amor. É preciso saber quando a estrela brilha na hora do nosso encontro, é preciso ir ao teatro juntos, é preciso brigar para o bem, para viver um grande Amor. É preciso ser amado também, é preciso falar junto a mesma palavra, é preciso encaixar na cama, para viver um grande Amor. Para viver um grande Amor é preciso saber que a vida não é fácil juntos, mas que sem ela é impossível, para viver um grande Amor.

– B.J.
(Tomando emprestado a frase de Vinícius)

A sala

O antigo estúdio de gravação dava lugar a sala de estar de sua casa, transformada após sua separação.
As marcas raspadas do que antes era o forro acústico ainda permaneciam nas paredes e no teto, dando um ar “retrô” ao ambiente.
Os móveis eram velhos, ainda herança do antigo relacionamento de mais de seis anos. A cortina não passava de dois panos vinho escuro, que teimavam em permanecer entreabertos deixando sempre uma fresta para o sol da tarde entrar, batendo diretamente na mesa que ficava no canto da sala.
Na mesa havia um notebook, que de tão velho não possuía mais uma bateria resistente e vivia ligado ao benjamin, que também servia para ligar a televisão e o aparelho de DVD. A sala era grande, tão grande que cabia um colchão de casal entre a mesa e o rack com a televisão. Nunca entendi o real motivo de existir um colchão de casal na sala, mas não perguntei nada.
Chegava a noite.
Apagávamos as luzes, acendíamos as velas e as colocávamos no chão e na mesa. A luz da lua passava por entre a fresta da janela enquanto ficávamos lá, abraçados, no colchão da sala. Ficávamos juntos como se não houvesse amanhã, torcendo para que o universo ouvisse nossas preces e parasse o tempo para o final de semana jamais ter fim.
Ah se aquela sala falasse e contasse todas as nossas confissões e juras, choro e alegrias, tudo misturado. Sinto a saudade que palavras não podem expressar nem a música pode alcançar. Só a memória pode chegar.
Lembro como se fosse ontem sua declaração para mim em forma de peça de teatro. Sentei na primeira fila e assisti a peça inteira com o olhar atento de um leigo encantado com o espetáculo que presenciava. Retribuí. Disse coisas que nunca havia dito para mais ninguém. Já estava ensaiando a certo tempo até que o momento surgiu. O engraçado é que tudo aconteceu naquela sala, o antigo estúdio de gravação. Só que desta vez, o que está gravado está guardado dentro da gente.

– B.J.