Patre

O senhor foi um exemplo para mim.
Sempre um bon vivant preocupado com a boemia viveu do jeito que quis em seu castelo satisfazendo suas próprias vontades. Sistemático e mestre de si, vivia sem rumo pingando de lugar a lugar, sempre usufruindo o melhor, a camada alta da pele. Sua escolha era não ter escolha. Vivia os caminhos que a vida colocava a sua frente, nunca se desapontava, e ao menor incômodo mudava de direção. De sabedoria inata, achava incrível como nunca terminara nenhum projeto em sua vida. Vivendo da ilusão de sempre estar certo, agradava a todos com sua alegria, apesar de ter uma casca facilmente rompível.
Hoje você vê da sua janela as árvores que plantou.
Com o senhor eu aprendi que família é importante, principalmente agora. Estes valores te foram ensinados também. À força.
Aonde estão as musas que te fizeram tanta companhia durante todos os gloriosos anos? Aonde estão teus amigos que amava e te consideravam como a um irmão? Agora que está doente e incapaz de fazer teu próprio caminho, quem está do seu lado? Infelizmente estamos nos conhecendo só agora. Gostaria que tivesse sido antes, mas você deixou a sua saúde e virtude para os outros. Para mim, seu filho, só ficou o que restou de ti, em sua essência mais assombrosa.

Só um desabafo.

– Stefano Libacci

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Abstinência

Posicionar-se diante do desconhecido lhe traz expectativas e suspeitas. Em qual delas se basear? Não guiando por nenhuma delas e deixando se enfeitiçar pelas figuras brilhantes a sua volta é mais seguro. Ela estava sentada na varanda de seu quarto, observando o movimento das pessoas, suas feições e gestos. Quais seriam suas esperanças para o dia, para a semana, o ano? Do mesmo modo que não sabia o que havia ali, elas desconheciam sua existência.
Como podíamos ser tão insignificantes diante de toda essa imensidão? A verdade é que tentar se tornar especial para alguém em uma perspectiva maior não faria a menor diferença, seria mais uma união perante o restante da massa. Porém, ao enxergar seus olhos raiando ao vê-la atravessar a rua da sua casa e acalentá-la com seu abraço de velho amigo, faz com que ela sinta que todo o mundo parou naquele momento apenas para contemplar o quão sincero e significativo este amor era.
Pelo menos naquele momento, ela se sentiu única. Como se não houvesse e não precisasse de mais nada, apenas olhar em seu rosto pela manhã e perceber que não haveria mais despedidas, nem corações apertados pela ausência. A felicidade a invadia, como num impulso incontrolável de sensações, que emergiam para apenas uma, plenitude. Refletia como poderia ter ficado aqueles anos sem sentir seu cheiro em sua pele e como seus olhos tinham se acostumado a não enxergar tão belos e imperfeitos contornos.
Aquilo tudo poderia ser efêmero, a fugacidade da vida era sempre presente, seria preciso deliciar cada particularidade daquele sorriso. Não imaginava que previra o desfecho. No ápice do aconchego, ao se sentir abrigada como nunca, começou ouvir um barulho ao longe. Ele não parava, era constante e ocorria em intervalos regulares. Foi se tornando cada vez mais forte. Até que foi impulsionada a abrir os olhos, o despertador tocava. Notou que os móveis estavam diferentes e não era ali que havia deixado sua bolsa na noite anterior. Assustou-se, não podia acreditar. Virou-se para lhe perguntar se sabia o que havia acontecido. Então, suas desconfianças provaram-se verdadeiras.
Havia um lugar vazio ao seu lado, o cheiro não estava no travesseiro e o espaço não estava quente por conta de sua prévia presença. Sentou na cama, apoiou seu rosto às mãos e secando a lágrima iminente, prometeu a si mesma. Nunca mais se permitiria sonhar. Não com tal intensidade ao sentir, nem com tanto amor ao lembrar, muito menos com tanta saudade a sangrar.

– F.F.

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Vergonha Própria

Avenida Paulista, São Paulo.
Livraria Cultura, point de 9 entre 10 pessoas que gostam de ver as novidades do mundo literário.
A idéia era trocar o livro ‘Preciosa’ que ganhei de minha amiga Juliet, livro esse que ela me deu pelo título por nossa mania de anos de nos chamarmos de “my precious”.
Juro que tentei ler esse livro, mas não estava na pegada de ler a história de uma obesa semi-analfabeta que tem 2 filhos vindos do estupro do pai. A vida já é tão difícil, queria uma leitura mais light.
Foi quando lembrei que em minha última passada pela Livraria Saraiva me chamou atenção um daqueles livros com o título ridículo que morremos de vontade de ler mas temos vergonha de comprar.
Sinceridade?
Sou uma anta na minha vida sentimental, admito, preciso da ajuda de alguma boa alma para me dar uma luz do que estou fazendo errado.
Sim, sou toda trabalhada na ridicularidade.
Pergunto para o vendedor quase em seu ouvido se ele tem o tal livro na loja, na verdade parecia mais que eu estava perguntando se lá vendem drogas, ele não dá a mínima bola pra minha vergonha, afinal, trabalha no setor de auto-ajuda e está acostumado com desesperadas, digo, mulheres como eu, diz que tem o livro sim, aliás, ufa, o último, e vai em outro setor buscar o mesmo.
Enquanto isso eu fico esperando. E esperando e esperando….
Estou dando uma olhada em outros setores e percebo que tem um cara olhando pra mim.
Parece ser bem gatinho, minha mãe diria que um rapaz bem apanhado, barba de uns 5 dias, cabelo com um corte decidido, ar intelectual.
Pego na prateleira ‘Caim’ lançamento de José Saramago, começo a folhear e sorrateiramente olho pra ele e quando nossos olhos se encontram ele me dá um semi-sorriso como quem diz “tô afim gata, só chegar”.
Opa, tá na minha!
Depois disso vou saltitando pelas prateleiras só pegando livros que pegariam bem nesse nosso primeiro contato literário…e dá-lhe ‘Perto do Coração Selvagem ‘ da Clarice Lispector pra mostrar que sou feminina, mas de uma maneira lírica, ‘Mandrake’ do Rubem Fonseca, dando o recado que conheço o universo dos homens e me sinto bem à vontade nele, ‘O apanhador no campo de centeio’ de J.D. Salinger pra mostrar que sou uma mulher clássica e os clássicos nunca morrem e o golpe de mestre, ‘A casa dos budas ditosos’ de João Ubaldo Ribeiro, dando a deixa que sou letrada sim, mas aqui tem muito borogodó.
Nisso volta o vendedor e me entrega o vergonhoso livro que vim comprar, num rápido movimento pego o mesmo da mão dele, viro a capa pra baixo, e vou me dirigindo ao caixa torcendo para não ter sido descoberta.
E não é que o cara vem atrás?
Me posto na fila do caixa, uma daquelas ilhinhas no meio da loja com vários atendentes, estou em uma fila e ele na outra bem em minha direção, e continua olhando.
Até olho pra trás, será comigo mesmo? Era. Caramba, vou usar esse vestido mais vezes, ele deve cair muito bem em mim.
Mas como minha vida é roteirizada pelo Costinha, chega minha vez e um vendedor pergunta pra caixa:
– Porque os homens se casam com as manipuladoras?
Ela dá risada e responde:
– Isso eu não sei, mas se for o livro essa moça aqui está levando o último.
Olho pra ele e seu olhar de decepção é evidente, dois segundos depois ele ja está olhando pro teto, num inesperado interesse pela iluminação da loja.
Como diria Maysa ‘meu mundo caiu’, pena e comiseração para moças como eu que precisam ler esses livros ridículos.
E como que para desanuviar o ambiente a caixa engraçadinha olha pra mim e fala:
– Cpf na nota, senhora?

Texto enviado por Cynthia Pinheiro Aranha
blog: http://eugostoehdoestrago.blogspot.com/

Para as garotas

Um homem tem que ser sincero. Cansei dos cafajestes que usam a máscara do bom samaritano só para te levar para cama. Acredito que na vida temos muito o que aprender e uma delas é não cair na lábia destes homens infantis que, quando conseguem o que querem, te descartam como um brinquedo. Acho que isso já aconteceu com a maioria das mulheres. Qual sensação vocês tem? Eu em particular me sinto muito mal.
Homens, temos sentimentos. Eu também gosto de sexo tanto quanto vocês, mas também gosto de carinho, atenção e principalmente: Que liguem no dia seguinte! É claro, já tive homens em minha vida que me ligaram, mas nunca aqueles que eu queria.
Eu tenho 24 anos, trabalho, tenho minha independência financeira, carro, não sou de se jogar fora e não consigo arrumar um cara decente! Mas tudo bem, eu vejo que minhas amigas também estão passando pela mesma situação, então não é um problema só meu e sim social.
Passado essa revolta resolvo ligar a televisão e vejo aquele monte de pedaço de mau caminho, todos juntos em uma passeata se beijando! Desse jeito eu não agüento! Dá vontade de sair na rua com uma camiseta: “Homens, nós mulheres também temos c..”. Vocês já perceberam que os caras mais bonitos e gostosos são gays? Será que existe algum pré-requisito para ser viado? Tudo bem, pelo menos eles estão felizes virando a casaca e algo a mais.
Não acredito naquela história de “todo homem bom está casado” porque todos os casados que conheço são mil vezes mais safados que os solteiros, parece que a aliança dourada que eles usam no dedo só serve para atrair mais fêmeas para seu covil.
Bem amigas, acho que vou para a academia agora, tem um professor muito gato lá e espero que não seja gay. Nem casado.

Beijos!

Texto enviado por Maria Clara Andreoli

diHITT – Notícias

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