No assento do ônibus havia um homem

Meu senso de justiça não tem limites, quando vejo algo errado trato logo de buscar justiça, como Batman em Gothan ou Super-homem em Metrópolis. Só que as vezes as coisas dão errado…
Avenida Consolação, dez e meia da noite. Saio da faculdade cansado e pego o ônibus lotado, como de costume. No ônibus não encontro nenhum lugar vago para sentar e começo a tentar dormir em pé, apoiando minha cabeça no braço que está esticado, segurando a barra de ferro.  Após duas paradas uma senhora entra no ônibus, a julgar pelas suas rugas daria uns setenta e cinco anos.  O olhar da pobre velhinha já indicava que suas pernas não aguentariam ficar em pé, mas ninguém cedeu seu assento. Ver aquela cena foi me deixando inconformado e pensei  “Como esse povo não tem educação”. Na minha frente, sentado, estava um homem, por volta dos trinta e cinco anos, sentado como se os olhares da senhora não fosse com ele. Nem para disfarçar que estava dormindo.  Minha revolta foi aumentando, potencializada pelo difícil dia que tive, cutuquei o homem no ombro e já falei, em voz alta:

– “Você não tem vergonha? Deixar esta senhora em pé enquanto você fica aí sentado no banco reservado para pessoas idosas?”


Nesse momento o ônibus inteiro estava olhando a cena que se desenrolava e eu, cheio de moral, já estava contando que o homem iria se levantar e ceder lugar a senhora. Eis que o homem falou:

– “Não posso sair daqui”
– “E por que não?”
– “Eu não tenho uma perna, esta é mecânica”.

Imaginem a minha cara.

B.J.

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