O reencontro

Te vi ontem no metrô e fiquei lá atrás para não ser visto. Minhas pernas ficaram bambas, meu coração disparou, meus olhos se encheram de lágrimas… Fazia tanto tempo que não te via…tantos anos…
Não sei a reação que teria se me acusasse a sua frente. O que você diria? O que pensaria? Com certeza seria cordial e me daria um beijo no rosto. E só.  É, as vezes foi melhor ficar a distância, nos privaria de um momento constrangedor. O que eu te perguntaria? Como anda a vida? Depois de tudo o que hove entre a gente?
Na verdade, o que eu gostaria de te perguntar seria uma única coisa: Se eu não tivesse pisado na bola, você estaria comigo ainda? Ou o amor é algo que não nos escolheu mesmo e você invariavelmente cairia nos braços lusitanos, me trocando por um chamado maior? Pena que não tive a coragem, vai ver foi melhor assim mesmo, sem contato, sem antigas feridas abertas…

– B.J

Futebol?

Estou começando a gostar de futebol. Não pelo esporte em si, que ainda não entendo (até hoje não sei a regra do impedimento), mas para poder conhecer algum homem de verdade, porque me parece que é o único reduto confiável ultimamente. Porém, neste caso, os homens são geralmente marmanjos barrigudos que ficam com a cerveja na mão em frente a telinha no domingo, ou no Pacaembu com outros gordos barrigudos.
Se os homens começam a deixar de gostar de mulher, elas vão atrás dos que restam.  Começou a trabalhar no meu departamento uns daqueles tipos baixinho, careca e gordinho que ninguém dá nada. Nenhuma dá bola e até comentam do jeito dele nas nossas idas ao banheiro. Passada algumas semanas, aquele mesmo gordinho e careca não era tão mais feito. Até que era simpático o jeito que ele arrotava na mesa do restaurante. Passado um mês e adivinha só? Minhas amigas todas já estavam dando uma olhada um pouco diferente… até que ele é bonitinho né…

Não é de se espantar amiga, quando se está com fome, até coxinha vira caviar.

-Maria Clara Andreoli

Histórias do Paulo – O brinco

Paulo é um garanhão, aliás, quer ser garanhão. Todos os dias passava pela rua e as mulheres suspiravam por ele. Pelo menos achava isso. Gel no cabelo, perfume pelo corpo, andava sempre estiloso å caça da próxima vítima. De fato não era feio, ao melhor estilo amante profissional conseguia sair com algumas, porém sempre se dava mal por ser muito enrolado. Enrolado como eu nunca vi. Este espaço é dedicado as aventuras de Paulo, suas investidas frustadas para conseguir ser o garanhão da mulherada. Estas são as histórias do Paulo.

O brinco

Paulo em seu carro descendo a rua Augusta em um sábado a tarde encontra uma garota no carro ao lado, cantando ao som de alguma música da rádio. Paulo se olhou no espelho, deu aquela ajeitada no cabelo e pareou com a garota no semáforo. Com aquela buzinada básica para chamar a atenção, pede que ela abaixe o vidro do carro. A moça olha um pouco desconfiada mas acaba abrindo o vidro:

– Oi!
– Oi
– O sinal já vai abrir então vou ser direto, me passe seu telefone que eu te ligo e marcamos algo, o que acha?
– Ih cara, eu nem te conheço

O sinal abre e os carros entram em movimento. O bom da rua Augusta é que existe um excesso de semáforos, e eles voltam a se encontrar dois blocos depois, no próximo semáforo fechado:

– Prazer, meu nome é Paulo! Trabalho na avenida Angélica e estou solteiro.
– Prazer Paulo, meu nome é Jéssica
-Prazer Jessica, agora que já nos conhecemos já posso te chamar para sair?

Jessica pensou um pouco e, como havia achado Paulo até apresentável, resolveu dar o telefone:

-Tudo bem, anota meu telefone e me ligue

Paulo havia conseguido em duas paradas de semáforo o telefone da garota. Mais a noitinha ele ligou para ela:

– Oi Jessica, sou o cara do trânsito, tudo bem?
– Oi Paulo, tudo bem e você?
– Tudo ótimo gatinha, melhor ainda falando com você
– Ah ta…
– Então, vamos sair hoje?

Jessica pensou por um instante, mas como suas amigas estavam todas namorando e ela estava sem ter o que fazer em um sábado a noite, decidiu aceitar o convite:

-Tudo bem, mas vamos nos encontrar em algum lugar publico, ainda não te conheço. Vamos sei lá, ao Starbucks
-Tudo bem! Nos encontramos lá as 21, pode ser?
-Pode!

Paulo usou seu melhor perfume e foi ao encontro. Lá se conheceram, conversaram bastante e, como era de se esperar, se beijaram:

-Tá de carro?
-Não, vim de taxi
-Vamos pro meu carro então, vamos dar uma volta.
-Ok!

E no carro rolou aquele amasso típico de casais que acabaram de se conhecer

-Vamos para outro lugar?
-Não, ainda não nos conhecemos e está tarde, mas marcamos outro dia
-Tudo bem, te deixo em casa então.

Foi uma boa noite para Paulo. No dia seguinte ele recebe uma ligação. Claudinha:

– Oi Claudinha, tudo bem?
-Tudo bem sim, vai fazer o que hoje?
-Nada, quer sair?
-Vamos agora!

E Paulo teve um domingo de amassos no carro com Claudinha. “Final de semama perfeito” pensou.
Na segunda Jéssica ligou pra Paulo:

– Oi Paulo, tudo bem?
– Oi Linda, tubo bem e você?
– Ótimo. Viu, eu deixei cair meu brinco no seu carro no sábado a noite. Você não quer pegar pra mim? É um redondinho de pérola
-Claro gata, pego sim e te levo hoje a noite
-Perfeito então. Ah, Só para você saber, adorei nossa noite juntos!
-Eu também gata! A noite eu te entrego.

Após uma breve procuradela Paulo encontra o brinco de pérola. A noite Paulo se arruma todo, passa seu perfume e vai ao encontro de seu novo affair. Paulo chega na casa dela e manda um sms: “Estou aqui embaixo”. Jéssica, já pronta, desce do elevador de seu prédio e vai ao encontro de Paulo. Toda feliz Jéssica dá um beijo em Paulo:

– Oi Lindo, tudo bem?
– Oi Linda, tudo bem, estava morrendo de saudades!
– Ai Lindo, eu também!
– Olha, trouxe seu brinco, está aqui no guarda-luvas do carro
– Ai que bom, dá pra mim!
– Peraí, tá aqui:
– Mas o que é isso?
– É o seu brinco linda.

Após dar um tapa na cara e jogar o brinco em Paulo, Jéssica se vira e entra para seu apartamento novamente. O brinco era da Claudinha.

– B.J.