Que vitória hein João!

Eis que João, cansado de trabalhar durante anos e sempre ficar com o receio de ser mandado embora, decidiu mudar de vida e escolheu algo mais light, que não fosse preciso pensar muito: Resolveu tornar-se funcionário público. João ralou de estudar (mesmo!) e conseguiu passar em um dos concursos públicos mais concorridos do país! Um para mil era o número de candidatos/vaga.

E João estava feliz, agora ele tinha estabilidade vitalícia! –Mas que vitória hein João!  Seus amigos assim falavam.  E lá se foi para seu primeiro dia na repartição pública. João estava empolgado para o seu primeiro dia: –Não vou mais precisar me preocupar com nada, pensava. João então foi ao endereço solicitado. Lá no centro. E assim foi.

Ao chegar no endereço João viu o prédio que iria trabalhar, por fora um caco. Visivelmente um prédio velho, com os ladrilhos da parede externa cedendo e todo pichado. A cor era cinza, como o ambiente que o rodeava, uma selva de concreto com travestis imitando pavões nas esquinas em plena luz do dia. João ficou decepcionado com o que vira, não tinha estudado tanto para isso, mas já que estava lá, resolveu entrar. Ao chegar a porta do local, o segurança pergunta para João:

– Aonde vai?

– Quinto andar – Responde João

– Pode entrar

João achou estranho o fato de existir um segurança que só pergunta aonde vai e deixa entrar. Chamou o elevador e entrou, meio que constrangido ao ver o quão velho o elevador era. Apertou o quinto andar e, com um solavanco, o elevador se move em direção ao andar desejado. A decepção de João aumentou quando ele adentrou ao “departamento” que iria trabalhar. Lá foi recebido por um senhor muito educado e, após se cumprimentarem, se prestou a levá-lo a conhecer o ambiente:

– Bem vindo João a nossa repartição. Cuidado para não tropeçar com os tacos soltos no chão. Venha por aqui. Aqui é o nosso espaço para reuniões, são móveis velhos e por isso peço que tenha cautela com as cadeiras ao se sentar, pode ser que quebre. Ali ao fundo é o nosso ar condicionado. Está vazando água, mas não se preocupe, já colocamos um balde para que o chão não fique molhado e já providenciamos outro balde maior para o caso deste encher. Nosso ambiente é essa gritaria que está vendo, não é exatamente um bom ambiente, mas com o tempo você se acostuma. O filtro não tem água hoje, mas semana que vem (provavelmente) chega um galão. Se a sede for muita, você pode usar a torneira do banheiro, se tiver água. Ali será a sua mesa, espero que goste.

João pensou que tinha apertado o botão “quinto dos infernos”. Fios para todos os lados, filtros de força em cima das mesas, falta de água, prédio caindo aos pedaços… Pensou em desistir, mas havia se esforçado tanto para passar naquela prova que não poderia jogar fora todos aqueles meses estudados. Passou-se aproximadamente cinco meses e joão percebera que Infelizmente a estabilidade que tanto havia perseguido era para cima também. João estava fadado a ficar naquela cadeira e mesa pelos próximos trinta anos de sua vida.

João percebera que a tão falada estabilidade tinha outra face. Sentia profunda vergonha ao adentrar aquele recinto todos os dias. Largou tudo no sexto mês e voltou a vida incerta e sem estabilidade do mercado, feliz da vida.

-BJ

Seu colo

Seu colo, não dá mais, sem explicação
Tudo o que eu mais queria era você perto de mim,
mas mentir para você agora, é mentir para mim.
Sendo assim, não dá mais para segurar essa vontade de você fora daqui.
Tentei, juro que tentei,
Mas o Amor é muito isso, é o encaixe, é o convívio.
Com você não tinha  vícios, sem história, sem graça.
Eu estava em você quando você não estava em mim,
Agora eu não estou mais em você, não queira estar em mim,

– Stefano Libacci

Foi quando ele chegou

Ele chegou como um sonho,
tomou conta de mim,
Me encheu de esperança,
Me enfeitou com cetim,

Criou em mim a ilusão,
E eu caí em seus braços,
Entrou em minha mente,
Penetrou em minhas pernas,
Me rendi ao seu laço como presa que fui,

Agora estou solitária,
Sem seu beijo quente,
Sem seu corpo ardente,
Tudo porque me entreguei demais,
Não fui capaz de medir o amor,
Fui rápida demais, e agora perdi,
Só me resta tua ausência,
E a minha carência
De teus beijos.

– Maria Clara Andreoli