Você está fazendo isso errado

– Você, como o religioso que é, acredita na doutrina que fala que masturbação é imoral?
– Não, eu não acredito…
– E no celibato, você acredita?
– Não, eu não acredito…
– E quando a igreja se opõe a ordenação de mulheres? Você acredita que isso é correto?
– Não, eu não acredito…
– E a questão dos padres pedófilos? Você acredita que a igreja nunca soube de nada?
– Não, eu não acredito…
– E quando a igreja fala de sexo somente para reprodução?
– Não, eu não acredito…
– E na proibição ao uso da camisinha, mesmo com a AIDS tomando conta da África?
– Não, eu não acredito…
– E quando a igreja é contra o aborto de anencéfalos, você acredita que eles estão sendo coerentes?
– Não, eu não acredito…
– Você acredita que a postura da igreja hoje em dia é compatível com as sociedades modernas?
– Não, eu não acredito…
– Se você não acredita em nada do que eu te disse, por que não deixa de ser católico?
– O quê? E abandonar tudo o que acredito?

Anônimo

O sincero – casamento

Não é que eu não goste de você. Eu te amo. É que simplesmente sinto atração por outras mulheres. Como todo homem, nós sentimos atração por outras mulheres. Desculpe, mas é a realidade. O fato é o seguinte: conseguimos separar muito bem essa coisa de amor e sexo. O amor está lá em cima, o sexo está aqui, embaixo, fazendo volume em minhas calças.
Desculpe, mas Deus me deu uma vontade incontrolável de fazer sexo. Incondicional. Percebo uma mulher atraente a quilômetros de distância e automaticamente penso em formas de abordá-la, posições na cama, ou em como ela ficaria gostosa sem aquela calça apertada da academia. Não adianta. Isso você nunca vai bloquear em mim. Na realidade em nenhum homem. Não estou te traindo ao te contar isso, estou sendo o mais realista possível, acabando com a ilusão da monogamia. Você conhece algum casal que nunca deu uma escapadinha para aliviar? Eu não. Mas eu conheço casais que se amam, mesmo depois de vinte anos de casamento. Nem por isso ele não deu uma fora do casamento, só para aliviar a tensão.
Se Deus deu a mim e a todos os homens essa vontade de fazer sexo, porque não criou um mecanismo que bloqueasse isso no momento que achássemos uma parceira? Vai ver estamos biologicamente corretos nas nossas ações, aquele lance da reprodução e tal e que, perante as leis que aprendemos na igreja é pecado. Olha, eu não entendo como ele permite mas ao mesmo tempo proíbe. Vai ver ele tem uma boa desculpa.
Entenda que eu te Amo, e muito. Mas não vou fazer sexo só com você. Se você aceitar, podemos ser muito felizes, até escondo minhas escapadas de você, se preferir. E então, quer casar comigo?

– Quero, mas com uma condição: Tudo o que fizer, vou fazer também.

– Stefano Libacci & Maria Clara Andreoli

Diálogo com Roma – parte II

– Roma, eu vi minha ex-namorada no Face. Não resisti e procurei ela.
– E aí?
– Fogo. muito difícil para mim. Ela está casada. Casada Roma! Vi as fotos, como eles estão felizes Roma… muito felizes… Sabia que um dia eu teria que esquecê-la. Agora não vai ter jeito.
– É, essa é a pior coisa que pode acontecer a um coração: “Esquecer” e procurar outra pessoa que “te complete”. Você fica lá, na internet, procurando notícias dela, querendo saber por onde anda, o que está fazendo, se está feliz. Invariavelmente as fotos do Facebook já dizem: “Ela está muito feliz sem você, olha só” comprovando o seu pensamento destrutivo. É, ninguém bota fotos tristes no Face meu amigo.
– Pois é Roma. É complicado. Não sei o que fazer.
– Tomar uma atitude neste momento só vai trazer mais sofrimento. Você ainda está com o sentimento de que alguma coisa em você morreu: A parte sua que ainda acreditava. O velho apego. O apego ao passado. Você só vai saber o que fazer quando essa nuvem negra passar.
– Complicado. Eu realmente desejo a felicidade dela, mas sei lá, muitas vezes eu queria que ela estivesse assim comigo.
– É meu amigo, ela pode estar feliz sem você, mas ela também já esteve feliz com você. Vocês já tiveram fotos felizes, lembra-se? A vida não é só felicidade, se isso te deixar feliz, eu posso te dizer que ela está enfrentando os mesmos problemas que ela enfrentou com você, senão piores.
– Como você sabe disso?
– A vida ensina meu amigo. Ninguém é feliz sempre, assim como ninguém é triste sempre. A vida é assim, essa incompletude sem fim, esse sentimento de que falta algo. As pessoas precisam de algo que as completem, que as façam ser pessoas melhores, que as façam ter um caminho. Procuramos sempre aliviar a ansiedade de estar vivos, sempre buscando algo em que nos apoiar: religião, bens materiais, e porque não, um alguém. Todo caminho chega a um ponto de decisão, ou continua ou não. Precisamos ter a maturidade em aceitar certas coisas da vida. A separação de vocês por exemplo, aconteceu.
– Entendo, mas o que eu faço Roma?
– Vá viver sua vida meu amigo. Com certeza alguém vai aparecer.
– Então é isso? Seguir adiante?
– Infelizmente sim. Existem muitas pessoas no mundo e você pode gostar de alguém.
– Mas e se eu ainda estiver apaixonado por ela? O que devo fazer?
– Então meu amigo, neste caso, você também deve seguir adiante. Se martirizar não vai trazê-la de volta. Você tem que buscar ser feliz, sair  e conhecer outras mulheres e tentar ser feliz com elas, do contrário meu amigo, você vai definhar. Vocês tem vidas separadas agora. O jeito é seguir a sua da melhor maneira possível. Se um dia vocês se reencontrarem, seu coração vai dizer se era mesmo amor ou não.  Mas você tem que estar inteiro, entende isso?
– Obrigado Roma.

Stefano Libacci