Você é…

é bossa, alegria,
é palavra, poesia,
é confusão, conflito,
é inverso, averso,
é desilusão,  realidade,
é vontade, desejo,
é sentimento, Amor,
é beleza, vaidade,
é pensamento, saudade,
é sexo, vontade,
é paixão, entrega,
é querer, fazer,
é errar, refazer,
é  samba, gafieira,
é  infinito,distante,
é você, sempre.

– B.J.

O significado de Baccili

Baccili vem do italiano “bacio” que significa beijo,
Beijo que significa afeto,
Afeto que tem a ver com querer estar junto,
Querer estar junto que está ligado a você,
Você que está ligada a mim, e “mim” não faz nada, “eu” faço,
E o que eu faço é querer você cada dia mais.

– B.J.

Dada (A lógica limita)

A lógica limita, a lógica não limita. O poço é sem fundo e eu não posso pois sem a alma nada tem jeito, o jeito é não ter alma, não trabalho para ganhar dinheiro, trabalho para não ter que trabalhar. Sem você tudo é pequeno, esse mundo é muito pequeno, cuidado com o que disser, sem paciência não se chega a lugar nenhum, com paciência se chega a tudo menos o improvável, o pequeno burguês-burguês (Mário de Andrade)! Escrevo este manifesto para provar que é possível escrever várias coisas ao mesmo tempo. Sempre o Dadaísmo louco, o Dadaísmo muito louco neste Brasil muito doido!
Adorno os afrescos da Catedral mas não há sinal do paradoxal, há muito paradoxal, sempre a hipérbole nasce do conjunto de regras exageradas, ou não! O que surge é o horizonte flutuante, jogue a bola para o infinito e saberá, sempre que há algo com o que se queixar. Não escrevo só sobre o Amor, não! Não há escrituras latentes da respiração pulsante que me faz regozijar… ou vomitar!
Vou vendo o que há de errado na leitura, sempre há uma camada fina da pele bronzeada e pronta para queimar, ou dourar, ou ficar,  ou…..
Não, não usei e não vou usar, sempre que se perguntar o que é essa loucura, eu vou te dizer: Vá estudar Zurique 1915!

– B.J.

Need it

Ele não quer curtir a vida como um adolescente colecionando amores por onde passa
Ele está se libertando porque passou muito tempo preso como um cavalo preso a uma cadeira
Ele segue sua vida para tentar se entender, se descobrir
Ele precisa que o entendam também, sem pressão
Ele quer sossego porque já tem muitas preocupações o dia todo
Ele precisa de atenção
Ele precisa de mais bossa e menos rock, mais João Gilberto e menos pop, mais Stanislavski e menos Beckett, mais aventura e menos saudade, mais suavidade e menos intensidade
Ele precisa ler mais, estudar mais, saber mais
Ele precisa se ver no espelho, perceber  o que ele é
Ele precisa disso hoje, é a fome de sua alma
Ele não acredita que as pessoas ficam “prontas” para o amor mas sabe que existem momentos, e esse não é o dele
Ele ainda precisa caminhar, tropeçar, levantar e voar
Ele precisa dar sequência na vida que ficou parada durante anos
Ele escolheu esse caminho, e neste momento deve ser trilhado sozinho
Ele sente saudades, mas é o preço que se paga
Ele precisa disso

– B.J.

Cordel de Amor

Vou mostrar ao mundo inteiro
A pessoa maravilhosa que é
Desde o fio de cabelo
Ate a pontinha do pé
Eu duvido você não rir com saudade
Com alguns momentos que ficaram para posteridade

Duvido você não chorar de emoção
Ao ler e ouvir com atenção
As cantigas, versos e prosas que fiz e são,
Com a minha mais profunda gratidão e do fundo de meu coração

Me desculpe a demora
Mas a vida nos ensina a ter calma nessa hora
Por isso segui os ensinamentos
Adquiri sabedoria e conhecimento
E fiz tudo isso para você
Com calma para você não esquecer
Que eu, é claro, Amo você.

Não sou Clarice Lispector
Mas tudo o que escrevi é sincero
Sinto sua falta, não nego
Por solidão e tristeza não me continha,
Ao me lembrar que você sofria,
Como a morte eu queria!
Mas morrer não resolveria
Pois assim não te teria
E pior: você sofreria!

Por isso resolvi mudar
Então conselhos fui buscar
Somente para um motivo
Que você volte a me amar

Nessa solidão não posso ficar
Não quero outra pessoa amar
Pois e só com você que eu quero estar
E só para te relembrar
A partir de agora vou contar
Em verso e prosa e a cantar
A nossa historia de amor e felicidade
Que tanto fez para minha maturidade
Enxergando o mundo com mais verdade
E vendo a nossa realidade,
Não posso me sentir à vontade
Em perder você minha beldade,
Ó deusa do amor e da verdade
E isso eu digo sem vaidade
Ego ou outra qualidade
E de você que preciso, de verdade!

E por isso agora eu paro!
E começo com “o disparo”.

O disparo

Tarde da noite no meu quarto
Pensando o que teria feito eu de errado
Porque fui tão maltratado?
Me humilhei e sem resultado!
Por alguém que havia amado
Agora só me restavam cacos
Como um velho vaso quebrado
Assim estava meu coração
Como uma velha equação
A lei da ação e reação
Como 1+1 são 2,
Estava morto, até 2002.

Estava ali entrando,
Cabelo molhado e topete
Calça caqui, sapato com chiclete
Camisa cor que se acomete,
Notebook e fone que não se esquece,
Te vi e não reparei,
Mas havia alguma coisa ali, agora eu sei
No seu jeito de ser me deparei,
Mas um “oi” não te dei,
Por medo também de que o pupilo do “Rei”
Sabendo que flertei
Dissesse a mim: “vinde e ouvei”
“pensastes que não sei?”
“uma ordem eu te dei”
“Não vais mexer com a filha do rei”
“Agora sua cabeça cortarei!”
Ai fiquei meio assim, não sei…

Mas parece que o destino estava traçado
Assim como um disparo
Começamos a conversar em qualquer horário
E, se me permite meu próprio plagio
Do cavalo branco eu desci como um raio
Pois estava atrasado pra ca….!
E me encontrei com você, meio de soslaio
Te olhando e já dizendo “desculpa, mas que raios!”

Depois te deixei em sua casa,
E acabando com a minha graça,
Me disse, na meiguice da sua praça:
“-me liga, quando chegar em casa?”

Nunca ninguém havia se preocupado tanto
E ai começou o meu encanto,
Mesmo que ainda estivesse em pranto
Algo surgia naquele momento e tanto.
Passei a gostar de ti,
Por tudo que eu vi e vivi,
Sabia que tinha encontrado algo muito raro,
Algo que sempre busquei,
Mas nunca me deparei,
E por isso não tinha compreendido,
A real dimensão de tudo isso,
Somente quando se perde começa a criar juízo.

Sigo sem choro nem vela
Pois de nada vale a lapela
Quando se está com remela

O tempo passa,
Como uma sinfonia e brasas,
Entre festas e lascas,
Entre brigas e favas,
Chega um dia e me falas:
“Eu amo você”. E tudo muda!
Parando com a rima,
O paradoxo se estigma,
E estava eu, lá de cima,
Me envolvendo novamente,
Como um ciclo da vida,
Mais uma vez entrando,
E voltando a amar como antes e antes.

E com você foi muito calmo, sereno, tranqüilo,
Sempre me lembro dos dias de sol,
Eles me aquecem a alma,
Não me deixam esquecer que existe você,
E isso me dá um nó.

E voltando a rimar,
Me acostumo a pensar,
Como era bom, e ainda é, te amar.

Maria Rita está a me inspirar
E escrever sem pensar,
Somente acreditar,
Para um dia essa dor passar,
E sermos felizes, mais uma vez, e a cantar,
Como ela mesma canta, “Vai passar!”

E Chico, com sua sensibilidade
Canta e chora, sem vaidade,
Amanhã será outro dia, e é verdade…
E o sol vai voltar a brilhar,
Como toda boa tempestade a prezar.

Finalizo o Disparo,
E começo um apelo solitário,
Com amor, “Para os pais honorários”.

Para os pais honorários

Como não posso me esquecer de seus pais,
Também escrevo para eles,
Por isso, me uso de Alberto Caeiro por um momento:
[…]

Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, “Aqui estou”

[…]

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos,
Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?

[…]

Busco na inocência primitiva e criativa de Caeiro,
Uma explicação a passar sobre meu paradeiro,
Espero que sirva de explicação, dito verdadeiro.

Voltando ao que importa,
“Volto a você minha amada”,

Volto a você minha amada

Sim, posso voltar,
Sim, quero voltar,
Mas sem pensar,
Nem sentir o pesar,
Que foi me afastar.

Estando à vontade,
Começo sem mediocridade,
Inocência ou tranqüilidade,
Suavizando a maldade,
Que escravizou a você e a mim,
A um passado que não volta mais,
Para o bem e para o mal,
Estamos aqui, e não há nada a fazer,
A não ser aprender e crescer,
E eu espero poder te ver,
Renovada e sem mágoas,
Para começar algo novo.

Depois que tudo é sanado

A cicatriz é curada,
O trauma é superado,
A crença é desfeita,
O medo é retido,
A magia volta,
O calor esquenta,
A vida volta,
O amor renasce,
A vida recomeça,
O casamento é próximo,
A filha nasce!

Ou o filho, quem sabe!

Mas depois de tudo, eu percebo que a vida é assim mesmo,
Sem erros e sem tropeços não teria graça e nada teria preço,
Contudo, assim que me reconheço,
Penso na grande valia de um sujeito,
Que ressurge das cinzas e cresce com apreço,
Imaginando o céu estrelado e com a humildade de pedir um novo começo!

FIM. Será?

B.J.

Instagram: baccilijunior

Vidas secas

Como de costume vou a um café próximo de casa toda semana e faço meu pedido a uma gentil senhora que sempre me atende muito bem. Após pedir meu habitual café com pão de queijo procuro um lugar no ambiente externo, é melhor para ver o mundo. Ao assumir meu posto de espectador da vida, começo a olhar as outras pessoas que passam, as vezes apressadas e sempre tão preocupadas. Em um desses dias uma figura me chamou a atenção, um senhor de coluna curvada, andar contido, camisa e calça social surrada, olhar triste, semblante e marcas de expressão que evidenciam uma vida sofrida. Quem era ele? Nunca o tinha visto antes e a julgar pela sua aparência diria que não possui uma vida boa. O que ele teria feito da vida para carregar um fardo tão grande nas costas? A vida é o que fazemos dela mesmo, cada dia que passa tenho mais certeza disso.

Comecei a seguir este senhor com o olhar até sumir na multidão. Passado alguns minutos eu o vejo novamente, desta vez com duas crianças e uma mulher, todos de vestimentas simples, olhares profundos e estatura mediana. Calmamente eles cruzaram a rua em frente ao café e foram em direção a uma kombi azul clara, já com a pintura desgastada e marcas de ferrugem. O senhor abriu a porta de trás para as crianças e a porta da frente para a mulher, deu a volta pela frente do velho Volks e entrou do lado do motorista. Antes de sair, abaixou o vidro e deu uma rápida olhada para todos na rua. Deu a partida e após algumas engasgadas o velho e sua família conseguiram sair rumo a suas vidas sofridas.  Pensei: só faltou o cachorro Baleia.

– B.J.

Vergonha Própria

Avenida Paulista, São Paulo.
Livraria Cultura, point de 9 entre 10 pessoas que gostam de ver as novidades do mundo literário.
A idéia era trocar o livro ‘Preciosa’ que ganhei de minha amiga Juliet, livro esse que ela me deu pelo título por nossa mania de anos de nos chamarmos de “my precious”.
Juro que tentei ler esse livro, mas não estava na pegada de ler a história de uma obesa semi-analfabeta que tem 2 filhos vindos do estupro do pai. A vida já é tão difícil, queria uma leitura mais light.
Foi quando lembrei que em minha última passada pela Livraria Saraiva me chamou atenção um daqueles livros com o título ridículo que morremos de vontade de ler mas temos vergonha de comprar.
Sinceridade?
Sou uma anta na minha vida sentimental, admito, preciso da ajuda de alguma boa alma para me dar uma luz do que estou fazendo errado.
Sim, sou toda trabalhada na ridicularidade.
Pergunto para o vendedor quase em seu ouvido se ele tem o tal livro na loja, na verdade parecia mais que eu estava perguntando se lá vendem drogas, ele não dá a mínima bola pra minha vergonha, afinal, trabalha no setor de auto-ajuda e está acostumado com desesperadas, digo, mulheres como eu, diz que tem o livro sim, aliás, ufa, o último, e vai em outro setor buscar o mesmo.
Enquanto isso eu fico esperando. E esperando e esperando….
Estou dando uma olhada em outros setores e percebo que tem um cara olhando pra mim.
Parece ser bem gatinho, minha mãe diria que um rapaz bem apanhado, barba de uns 5 dias, cabelo com um corte decidido, ar intelectual.
Pego na prateleira ‘Caim’ lançamento de José Saramago, começo a folhear e sorrateiramente olho pra ele e quando nossos olhos se encontram ele me dá um semi-sorriso como quem diz “tô afim gata, só chegar”.
Opa, tá na minha!
Depois disso vou saltitando pelas prateleiras só pegando livros que pegariam bem nesse nosso primeiro contato literário…e dá-lhe ‘Perto do Coração Selvagem ‘ da Clarice Lispector pra mostrar que sou feminina, mas de uma maneira lírica, ‘Mandrake’ do Rubem Fonseca, dando o recado que conheço o universo dos homens e me sinto bem à vontade nele, ‘O apanhador no campo de centeio’ de J.D. Salinger pra mostrar que sou uma mulher clássica e os clássicos nunca morrem e o golpe de mestre, ‘A casa dos budas ditosos’ de João Ubaldo Ribeiro, dando a deixa que sou letrada sim, mas aqui tem muito borogodó.
Nisso volta o vendedor e me entrega o vergonhoso livro que vim comprar, num rápido movimento pego o mesmo da mão dele, viro a capa pra baixo, e vou me dirigindo ao caixa torcendo para não ter sido descoberta.
E não é que o cara vem atrás?
Me posto na fila do caixa, uma daquelas ilhinhas no meio da loja com vários atendentes, estou em uma fila e ele na outra bem em minha direção, e continua olhando.
Até olho pra trás, será comigo mesmo? Era. Caramba, vou usar esse vestido mais vezes, ele deve cair muito bem em mim.
Mas como minha vida é roteirizada pelo Costinha, chega minha vez e um vendedor pergunta pra caixa:
– Porque os homens se casam com as manipuladoras?
Ela dá risada e responde:
– Isso eu não sei, mas se for o livro essa moça aqui está levando o último.
Olho pra ele e seu olhar de decepção é evidente, dois segundos depois ele ja está olhando pro teto, num inesperado interesse pela iluminação da loja.
Como diria Maysa ‘meu mundo caiu’, pena e comiseração para moças como eu que precisam ler esses livros ridículos.
E como que para desanuviar o ambiente a caixa engraçadinha olha pra mim e fala:
– Cpf na nota, senhora?

Texto enviado por Cynthia Pinheiro Aranha
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